As obras aqui publicadas podem não ser inteiramente ficcionais, podendo corresponder ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais será mera coincidência?

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A KGB criou a Teologia da Libertação (Tradução de Bruno Braga)

A KGB criou a Teologia da Libertação.


Saturday, January 24, 2015






Tradução do Capítulo "Liberation Theology" (15), que é parte do livro "Disinformation": former spy chief reveals secret strategis for undermining freedom, attacking religion, and promoting terrorism (WND Books: Washington, 2013) - escrito por Ion Mihai Pacepa e Ronald J. Rychlak.
Tradução. Bruno Braga.


Krushchev queria entrar para a história como o líder soviético que exportou o comunismo para o continente americano. Em 1959, ele foi capaz de instalar os irmãos Castro em Havana, e logo o meu serviço de inteligência estrangeiro envolveu-se na ajuda dos novos governantes comunistas de Cuba para exportar a revolução por toda a América Latina (NT1). Não funcionou. Diferentemente da Europa, a América Latina daquele tempo não havia sido picada ainda pelo besouro marxista (Em 1967, Che Guevara, uma marionete de Castro, foi executado na Bolívia após falhar no plano de acender a guerrilha naquele país).

Nos anos 1950 e 1960, a maior parte dos latino-americanos era pobre, camponeses devotos que tinham aceitado o "status quo", e Krushchev estava certo de que eles poderiam ser convertidos ao comunismo através de uma manipulação maliciosa da religião. Em 1968, a KGB foi capaz de dirigir um grupo de bispos esquerdistas sulamericanos na realização de uma conferência em Medellín, na Colômbia. Atendendo a uma requisição da KGB, meu DIE [NT2] forneceu assistência logística aos organizadores. O propósito oficial da conferência era ajudar a eliminar a pobreza na América Latina. O objetivo não declarado era legitimar o movimento religioso criado pela KGB apelidado "teologia da libertação", que tinha o propósito secreto de encorajar o pobre da América Latina a se rebelar contra a "violência da pobreza institucionalizada" gerada pelos Estados Unidos [1].

A KGB tinha uma inclinação por movimentos de "libertação". Organização para a "Libertação" da Palestina (OLP), o Exército de "Libertação" Nacional da Colômbia (ELN) [NT3], o Exército de "Libertação" Nacional da Bolívia foram apenas alguns dos movimentos de "libertação" nascidos da KGB. A Conferência de Medellín endossou a Teologia da Libertação e os delegados a recomendaram ao Conselho Mundial de Igrejas (CMI) [NT4] para aprovação oficial. O CMI, sediado em Genebra e representando a Igreja Ortodoxa Russa e outras pequenas denominações em mais de 120 países, já estava sob o controle do serviço de inteligência internacional soviético. Politicamente, hoje ainda permanece sob o controle do Kremlin por meio de muitos sacerdotes ortodoxos que são proeminentes no CMI e ao mesmo tempo agentes da inteligência russa. O padre Gleb Yakunin, dissidente russo que foi membro da "Duma" russa de 1990 a 1995, e que rapidamente teve acesso oficial aos arquivos da KGB, disponibilizou uma grande quantidade de informações através de relatórios clandestinos [NT5], identificando os padres ortodoxos que eram agentes e descrevendo a influência deles nas questões do CMI [2]. Por exemplo, em 1983, a KGB enviou 47 agentes para participarem da Assembléia Geral do CMI em Vancouver, e no ano seguinte a KGB creditou à utilização desses agentes no comitê de seleção do CMI para articular a eleição do homem certo para a Secretaria-Geral [3].

O Secretário-Geral do Conselho Mundial de Igrejas, Eugene Carson Blake - um ex-presidente do Conselho Nacional de Igrejas nos Estados Unidos - endossou a Teologia da Libertação e a tornou parte da agenda do CMI. Em Março de 1970 e Julho de 1971, os primeiros congressos católicos sul-americanos dedicados à Teologia da Libertação aconteceram em Bogotá.

O Papa João Paulo II, que havia experienciado o desastre comunista diretamente, denunciou a Teologia da Libertação na Conferência do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM), realizada em Puebla, México, em Janeiro de 1979: "Essa concepção de Cristo como figura política, um revolucionário, como o subversivo de Nazaré, não se coaduna com o catecismo da Igreja" [4]. Em quatro horas uma refutação do discurso do Papa - em vinte páginas - cobria o chão do evento. O Cardeal López Trujillo, organizador da Conferência, explicou que a refutação era produto de "uns 80 marxistas libertacionistas de fora da Conferência dos Bispos" [5]. Eu me lembro que o DIE romeno tinha sido prontamente parabenizado pela KGB por ter fornecido apoio logístico a esses libertacionistas.

Em 1985, o Conselho Mundial de Igrejas - comandado pela KGB - elegeu o seu primeiro Secretário-Geral, que era um marxista declarado: Emilio Castro. Ele tinha sido exilado do Uruguai por causa do seu extremismo político; porém, ele conduziu o CMI até 1992. Castro promoveu fortemente a criação da KGB - a Teologia da Libertação - que hoje está produzindo fortes raízes na Venezuela, na Bolívia, em Honduras e na Nicarágua. Nesses países, os camponeses têm apoiado os esforços dos ditadores marxistas Hugo Chávez, Evo Morales, Manuel Zelaya (agora exilado na Costa Rica) e Daniel Ortega, para transformar os seus países em ditaduras policiais de tipo KGB. Em Setembro de 2008, Venezuela e Bolívia expulsaram - na mesma semana - os embaixadores dos Estados Unidos e apelaram à proteção militar russa.

Embarcações militares e bombardeiros russos estão de volta a Cuba - pela primeira vez desde a crise cubana dos mísseis, em 1962 - e também à Venezuela. O Brasil, a décima maior economia do mundo, entrou também para o grupo do Kremlin com o seu presidente marxista, Lula da Silva. Em 2011, Lula foi sucedido por uma ex-guerrilheira marxista, Dilma Rousseff. No mesmo ano, o recém-eleito Presidente do Peru, Ollanta Humala, correu até Buenos Aires para buscar inspiração na Presidente guerrilheira-marxista do Brasil. Com a inclusão da Argentina, onde a atual Presidente, Cristina Fernández de Kirchner, também está levando o país para o grupo Marxista, o mapa da América Latina aparece, sobretudo, em vermelho.

Há poucos anos, uma versão negra da Teologia da Libertação começou a crescer entre algumas igrejas radicais-esquerdistas negras nos Estados Unidos. Os teólogos da libertação negra, James Cone, Cornel West, e Dwight Hopkins, declararam explicitamente a preferência pelo Marxismo, porque o pensamento marxista é baseado em um sistema da classe opressora (brancos) contra a classe oprimida (negros), e para o qual se vê apenas uma solução: a destruição do inimigo. James Cone explica:

"A teologia negra aceitará somente o amor de Deus que participa da destruição do inimigo branco. O que nós precisamos é do amor divino tal como é expresso no Black Power, que é a força do povo negro para destruir aqui e agora e por quaisquer meios os seus opressores. Se Deus não participar desse trabalho sagrado, nós devemos rejeitar o seu amor" [6].

A Trinity United Church of Christ - predominantemente negra - é parte desse novo movimento. Seu pastor, o Reverendo Jeremiah Wright, que em 2008 tornou-se conselheiro religioso da campanha presidencial do Senador Barack Obama, ficou famoso, não por gritar "Deus abençoe a América", mas "Deus condene a América!". A campanha presidencial do Senador Barack Obama desculpou-se pela língua solta do Reverendo Wright. No entanto, até Junho de 2011, o mesmo Reverendo Wright estava percorrendo os Estados Unidos para pregar, em igrejas negras abarrotadas, que "o Estado de Israel é ilegal, genocida", e que "equiparar o Judaísmo ao Estado de Israel é equiparar o Cristianismo a Flavor Flav [rapper]" [7].
Obama, claro, estava então na Casa Branca.

__________

Nos anos 60, Che Guevara tornou-se uma espécie de ícone para o movimento da Teologia da Libertação. Naquele tempo, a popularidade do Kremlin estava muito baixa. A repressão brutal dos soviéticos contra a insurreição húngara de 1956 e a instigação que eles promoveram na crise dos mísseis em Cuba, em 1962, causou repugnância no mundo, e todo governante do bloco soviético tentou livrar a cara à sua própria maneira. Krushchev substituiu a "imutável" teoria marxista-leninista da revolução proletária mundial pela política de coexistência pacífica, fingindo ser um defensor da paz. Alexander Dubcek apostou em um "socialismo com um rosto humano", e Gomulka em "deixar a Polônia ser Polônia". Ceausescu anunciou sua independência de Moscou e se apresentou como um "maverick" entre líderes comunistas.

A Cuba dos irmãos Castro, que temia qualquer tipo de libertação, decidiu que seria mais simples revestir o seu comunismo com uma romântica fachada revolucionária. Eles escolheram Che como garoto-propaganda porque ele já tinha sido executado na Bolívia - país aliado dos Estados Unidos; depois de fracassar na tentativa de incendiar a guerrilha, ele poderia ser pintado como mártir do imperialismo americano. A KGB imediatamente ofereceu apoio. O DIE romeno, que naquela época gozava de relações estreitas com seu congênere cubano, o DGI, recebeu ordens para também dar uma mão, e me colocou diretamente no projeto [8].

A "Operação Che" foi lançada com o livro "Revolução na Revolução" [NT6], uma cartilha para insurreições de guerrilha comunista e que elevava Che aos céus. O autor, o terrorista francês Régis Debray, foi um agente da KGB altamente conceituado [9]. Em 1970, os irmãos Castro aceleraram a santificação de Che. Alberto Korda, um oficial do serviço de inteligência de Cuba que trabalhava disfarçado como fotógrafo no jornal cubano "Revolución", produziu uma foto romantizada de Che. O agora famoso Che, com cabelo longo e cacheado, vestindo uma boina revolucionária com uma estrela, e olhando diretamente nos olhos do observador, inundou o mundo desde então [10].

A foto de Che tornou-se o logotipo do épico filme de Steven Soderbergh - "Che", lançado em 2009, com 4 horas de duração e em língua espanhola - que retrata um sádico assassino que dedicou sua vida para colocar a América Latina no grupo do Kremlin como um "verdadeiro revolucionário sob a perspectiva do seu martírio".

Até o dramaturgo que recebeu os créditos por escrever a peça que difamou o Papa Pio XII - "The Deputy" - foi recrutado para o esforço de promover Che. A revista "Time" publicou em Outubro de 1970: "Atualmente, Che aparece toda tarde em uma nova peça, 'The Guerrillas', do dramaturgo alemão Rolf Hochhuth". Na peça, "um jovem senador nova-iorquino, que também é líder de um movimento clandestino americano estilo-Che, pede a Guevara que ele abandone sua batalha na Bolívia. Che se recusa. 'Minha morte aqui - em um juízo calculado - é a única vitória possível', diz ele. 'E devo deixar uma marca'" [12]. Além de promover os interesses da KGB, a peça também acusou os Estados Unidos de ser um assassino político e racista.

A KGB também contribuiu para fantasiar um diário que Che manteve durante os seus anos como estudante e transformá-lo em um livro-propaganda, "Das Kapital Meets Easy Rider", depois renomeado "Diários de Motocicleta" [NT7]. Hoje Che é um ícone do movimento da Teologia da Libertação e da Teologia da Libertação negra.

Durante o período da eleição presidencial de 2008, a emissora Fox de Houston transmitiu um vídeo dos voluntários em um escritório da campanha Obama naquela cidade. As paredes estavam enfeitadas com uma grande foto de Che sobreposta a uma bandeira cubana [13]. Obama seguiu por quase vinte anos a igreja da teologia da libertação negra do Reverendo Wright em Chicago.

Raúl Castro uma vez se vangloriou dizendo para mim: "Che é o nosso maior sucesso público".

NOTAS.

[1]. Cf. Koehler, 26.

[2]. Gleb Yakunin, "Wikipedia", [http://en.wikipedia.org/wiki/Gleb_Yakunin].

[3]. Keith Armes. "Chekists in Cassocks: The Orthodox Church an the KGB [http://www.spiritoftruth.org/orthodoxchurch.pdf].

[4]. "Reaction within the Catholic Church" [http://en.wikipedia.org/wiki/Liberation_theology].

[5]. Ibid.

[6]. James H. Cone, "A Black Theology of Liberation" (New York: Orbis Books, 1990), p. 27.

[7]. Marta H. Mossburg, "Reverend Wright brings his anti-American crusade to Baltimore", The Baltimore Sun, 21 de Junho de 2011 (Edição online).

[8]. Cf. Humberto Fontova, "Fidel: Hollywood´s Favorite Tyrant" (Regnery Publishing, Inc. 2005).

[9]. Debray inicialmente lecionou na Universidade de Havana, na Cuba dos Castro. Depois tornou-se assessor do Presidente socialista francês François Mitterrand. Debray dedicou sua vida a exportar o Comunismo estilo-cubano pela América Latina, mas em 1967 uma unidade das forças especiais bolivianas - treinada pelos Estados Unidos - o capturou junto com todo o bando guerrilheiro de Che. Che foi condenado à morte e executado por terrorismo e assassinato em massa. Debray foi condenado a 30 anos de prisão, mas foi solto depois de três anos após a intervenção do filósofo francês Jean Paul Sartre. Em Fevereiro de 2003, Debray publicou "The French Lesson" no New York Times (que o descreveu como "ex-assessor do Presidente François Mitterrand", mas omitiu o fato de que ele passou anos na cadeia por terrorimo). Régis Debray, "The French Lesson", New York Times, 23 de Fevereiro de 2003 (Edição online).

[10]. A foto de Che foi originalmente lançada no mundo por um agente da KGB disfarçado de escritor - I. Lavretsky, livro "Ernesto Che Guevara", editado pela KGB. I. Lavretsky, "Ernesto Che Guevara" (Moscow: Progress Publishers, 1976). A KGB deu à foto o título de "Guerrillero Heroico" e a espalhou pela América do Sul - área de influência de Cuba. Giangiacomo Feltrinelli, um milionário editor italiano, e comunista romanticamente envolvido com a KGB, inundou o resto do mundo com a foto de Che em posters e camisas. De um dia para o outro o terrorista Che tornou-se um ídolo esquerdista internacional. Feltrinelli virou terrorista, e morreu enquanto plantava uma bomba nos arredores de Milão, em 1972.

[11]. A. O. Scott, "Saluting the Rebel Underneath the T-Shirt", New York Times, 12 de Dezembro de 2008; Humberto Fontova, "Fidel: Hollywood´s Favorite Tyrant" (Regnery Publishing, Inc. 2005).

[12]. "World: Che: A Myth Embalmed in a Matrix of Ignorance", Time, 12 de Outubro de 1970.

[13]. Humberto Fontova, "Che Guevara and the Obama Campaign", Human Events, 18 de Fevereiro de 2008 [http://www.humanevents.com/2008/02/18/che-guevara-and-the-obama-campaign/].

NOTAS DO TRADUTOR.

[NT1]. Pacepa foi general da "Securitate" - a polícia secreta da Romênia comunista.
[NT2]. Serviço de Inteligência Internacional da Romênia.
[NT3]. No texto original a sigla entre parênteses é "FARC".
[NT4]. World Council of Chuches (WCC)
[NT5]. "'samizdat' reports".
[NT6]. "Revolution in Revolution".
[NT7]. "The Motorcycle Diary".
 
Bruno Braga às 5:01 PM

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sábado, 24 de janeiro de 2015

"Você estar comunisto?" (por Olavo de Carvalho)

SÃO PAULO, 05 DE DEZEMBRO DE 2014 ÀS 11:50 POR OLAVO DE CARVALHO

Seria ingênuo acreditar que o PT não está cumprindo uma etapa para a instauração de um regime totalitário

O falecido Jean Mellé, fundador e diretor do “Notícias Populares”, que se tornaria um clássico do jornalismo de escândalo, era um refugiado romeno que tinha sólidas razões para odiar o comunismo. Grande e musculoso, de vez em quando agarrava um de seus subordinados pela goela e, com um olhar feroz de grão-inquisidor, perguntava: “Você estar comunisto?”. Se a resposta fosse “Não”, ele se dava por satisfeito.

Em noventa por cento dos casos, o interrogado era um membro do Partido e saía rindo do patrão cujo poder ameaçador se neutralizava a si mesmo com uma dose patética de ingenuidade.

Na verdade, Mellé não era nada ingênuo. Conhecia de trás para diante a ambiguidade escorregadia da conduta dos comunistas. Não tinha a menor ilusão de que andassem com foice e martelo estampados na testa ou declarassem de bom grado sua identidade ideológica. Contentava-se com a resposta sumária somente porque não dominava a língua nacional o suficiente para encompridar a discussão. Queria apenas infundir um pouco de medo no coração dos comunas, e conseguia. Eles vingavam-se com risadinhas forçadas que espalhavam o mito do adversário simplório, grandão bobo que até crianças poderiam enganar. Mentiam, e mentiam sobre a mentira: ocultavam sua filiação partidária e fingiam que tinham conseguido ludibriar “a direita”. A satisfação com que se entregavam a esse empreendimento acabava por se impregnar nas suas mentes, transfigurando o fingimento ocasional numa sintomatologia histérica completa e o autoengano num estilo de vida permanente.

Decorrido meio século, o movimento comunista ainda tem no jornalismo brasileiro um exército de colaboradores fiéis cuja tática persuasiva habitual e praticamente única consiste em inventar uma versão ridiculamente simplória do comunismo, atribuí-la aos direitistas e, demolindo-a com duas ou três piadinhas sem graça, cantar vitória, ficando assim provado que o comunismo não existe, que é apenas uma fantasia paranoica de direitistas raivosos. É o bom e velho recurso erístico do “homem de palha”, que nessas pessoas já se tornou uma segunda natureza.

Alguns dos praticantes dessa mágica besta são homens tarimbados, treinados em Havana e Praga. A prova mais patente do poder que adquiriram nas redações é a naturalidade com que estágios em centros de propaganda e desinformação na Cortina de Ferro entram nos seus currículos como provas de “experiência jornalística”, como se a técnica de mentir fosse a mesmíssima coisa que a de relatar os fatos. É óbvio que, ao menos nos velhos tempos, muitas dessas gentis criaturas eram agentes pagos de serviços secretos comunistas. Seus nomes, com atraso de meio século, vão sendo pouco a pouco revelados pelos documentos arquivados em Praga no Instituto para o Estudo dos Regimes Totalitários (v. https://www.youtube.com/watch?v=Dbt1rIg8FbI e https://www.youtube.com/watch?v=S0hcCDwS8xU).

Outros, mais jovens, não precisaram viajar para adquirir as manhas da prosa comunista. Aprenderam-nas por aqui mesmo, em faculdades de jornalismo que os cavalheiros mencionados no parágrafo anterior transformaram em centros de adestramento da militância pelo menos desde a década de 70 do século passado.

O primeiro sinal de que você é inteligente é a sua capacidade de perceber que um outro é mais inteligente. Mutatis mutandis, o primeiro sinal de burrice é supor, sempre, que o outro é mais burro do que é. Nisso consiste o artifício de retórica erística a que me referi: O sujeito define o comunismo da maneira mais simplória e mecânica e, argumentando que esse comunismo não existe (como de fato não pode existir), conclui que todo anticomunismo é uma doença mental, fonte de violência e “crimes de ódio”.

A definição usada nesse truque é a seguinte: o comunismo é a estatização completa, repentina e ostensiva dos meios de produção e de toda propriedade particular. O governante pega o microfone e anuncia: “Olhe aqui, gente, eu sou comunista. Agora quem manda nesta porcaria é o comunismo. Passem aí as suas propriedades ou vão para o Gulag.”Para tipos como o sr. Jô Soares e outras cabeças iluminadas que guiam o pensamento nacional, o fato de que isso nunca tenha acontecido é a prova cabal de que o perigo comunista não passa de uma invencionice criada para justificar um golpe de Estado ou coisa pior.

Em contraste com essa desconversa vagabunda, vejamos o que é o comunismo de verdade, na sua teoria e na sua prática no mundo.



Karl Marx ensinava que a estatização dos meios de produção – etapa inicial da construção do socialismo – seria um processo complexo que deveria se estender por muitas décadas ou séculos, e que não poderia nem mesmo começar antes que os meios capitalistas de produção alcançassem o seu máximo desenvolvimento possível.

A última coisa que um governante comunista deve fazer – sobretudo se chegou ao poder pelas vias democráticas usuais e sem derramamento de sangue -- é portanto sair estatizando tudo, desmantelando a classe capitalista. Ao contrário: deve ajudar os capitalistas a ganhar o máximo de dinheiro que possam, ao mesmo tempo que os destitui dos seus meios de ação política e ideológica. A função do capitalista nessa fase do socialismo é fazer dinheiro e não dar palpite, tornando-se tanto mais próspero quanto mais politicamente inócuo e subserviente à elite governante comunista. Seduzidos pelos ganhos fáceis, os capitalistas vão transferindo aos comunistas todo o seu poder ideológico, de modo que, em prazo relativamente breve, quatro coisas acontecem:

(1) Em pleno regime de prosperidade capitalista, só há ideias comunistas em circulação. De maneira mais ostensiva ou mais camuflada, a propaganda comunista se torna o único discurso vigente na sociedade. As ideias concorrentes desaparecem ao ponto de se tornarem impensáveis. Subsistem, na melhor das hipóteses, como vagos mitos de outras épocas. Um restinho de “ideologia capitalista” permanece no ar, reduzido à apologia da eficiência econômica, que os comunistas seriam os últimos a negar.

(2) A riqueza deixa de ser um meio de ação política independente e se reduz a instrumento da propaganda comunista. Cada capitalista gasta rios de dinheiro elegendo comunistas e financiando o ódio ao capitalismo.

(3) Ter uma imensa conta bancária dá menos poder do que uma carteirinha do Partido ou um cargo público qualquer. O poder político-ideológico é transferido da burguesia para a elite partidária sem que a propriedade capitalista sofra qualquer arranhão visível.

(4) Os comunistas, por seu lado, podem tanto se gabar de ser os dominadores absolutos da situação como continuar a se fazer de vítimas indefesas da burguesia. Passam do discurso ameaçador às lágrimas de autocomiseração com a maior facilidade, e a incoerência mesma da sua atitude serve para desnortear ainda mais o adversário.

Nessa etapa, não há guerra econômica. Não se trata de tomar as propriedades dos burgueses, mas de destituí-los de seus meios de autodefesa ideológica.

Esse é o programa que o governo do PT vem cumprindo à risca, esse é o esquema comunista real e genuíno. Ele não é um homem de palha, muito menos é uma ameaça: é a realidade em que vivemos.







Fonte - http://www.dcomercio.com.br/categoria/opiniao/voce_estar_comunisto

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O que penso sobre Olavo de Carvalho (Por ADOLFO SACHSIDA)

 5 DE JANEIRO DE 2015


Participo de vários grupos e, inevitavelmente, em algum momento alguém começa a falar sobre Olavo de Carvalho. Uns defendem outros criticam, esse post é a minha resposta a todos eles.


Olavo de Carvalho é um craque. Mais do que isso, é um homem de coragem e força de vontade ímpar. Assim, ele é um exemplo de conhecimento, inteligência, preparo acadêmico, e coragem para enfrentar desafios. Este homem lutou praticamente sozinho, por mais de 10 anos, contra toda a esquerda nacional e internacional. Alertou sobre os perigos do socialismo, sobre o Foro de São Paulo, sobre o PT, sobre o problema da deterioração da alta cultura quando estes problemas sequer eram imaginados seja na academia ou nas redações de jornais e revistas brasileiras.

Pagou um preço altíssimo por seus avisos: foi sendo paulatinamente ridicularizado, posto de lado, relegado ao esquecimento, e demitido de seus empregos. Resumindo: teve que suportar a solidão intelectual e a perda de empregos por falar a verdade, por embasar seus argumentos em raciocínios lógicos e comprovados.

Onde outros teriam desistido ele perseverou. Foi dele um dos artigos mais importantes que já li em toda vida: O Natal não é para os Covardes. Foi em seus textos que encontrei as primeiras referências a von Mises e Hayek (sim, o professor Ubiratan Iorio também é uma referência nesse tema). Boa parte das pessoas que tiveram contato com pensadores conservadores, ou mesmo libertários, tomaram conhecimento de suas obras lendo artigos de Olavo de Carvalho.

Alguns dizem que Olavo de Carvalho é extremamente agressivo. Sim, ele é. Mas quando se luta sozinho por tanto tempo essa arma que hoje lhe atrapalha é a mesma que o manteve vivo. Ninguém passa incólume por lutar tanto tempo contra um inimigo tão forte, essa foi a cicatriz que tal batalha lhe deixou.

Outros dizem que Olavo de Carvalho fala besteira demais. Bom, esses para mim são pessoas despreparadas. Certamente não concordo com todas as ideias do professor Olavo de Carvalho, mas daí a dizer que ele fala muitas besteiras é de um absurdo completo. Todo mundo erra de vez em quando, isso não é motivo para se jogar uma biografia no lixo. Ainda mais que tais erros, se é que eram erros mesmo, não são o ponto central de sua obra em nada comprometendo sua análise geral.

Deixemos que a esquerda tente destruir a reputação e a obra desse grande pensador. À direita cabe respeitar e promover o nome de Olavo de Carvalho como um de seus grandes ícones. A direita, a democracia, a liberdade de expressão, os conservadores e os liberais brasileiros devem muito a Olavo de Carvalho. Esse post é um pequeno agradecimento a esse gigante guerreiro das batalhas quase impossíveis. Boa parte da assim chamada direita brasileira só existe graças a obra e a perseverança desse nobre homem.
Fonte - http://bdadolfo.blogspot.com.br/2015/01/o-que-penso-sobre-olavo-de-carvalho.html



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sábado, 3 de janeiro de 2015

ALGUNS SINAIS PARA RECONHECIMENTO DE PADRÕES AUTOCRÁTICOS

Por Augusto de Franco em 3 janeiro 2015 às 8:56


Esta é uma lista demonstrativa (não-analítica) contendo apenas exemplos de indícios da presença de processos de autocratização da vida cotidiana, de reprodução de pressupostos hierárquico-autocráticos, em geral aceitos como verdades evidentes por si mesmas (ideias-implante básicas ou rotinas de um programa autocrático instalado na mente coletiva), da existência de acentuada hierarquização (topologias da rede social mais centralizadas do que distribuídas), da adesão por boa parte dos agentes a princípios de modos de regulação autocráticos, da existência de estado de guerra como dinâmica organizadora do cosmo social e do estatismo como ideologia e comportamento político.


A - INDICADORES (SIMBÓLICOS) DE AUTOCRATIZAÇÃO DA VIDA COTIDIANA

A1 - A limpeza e a pureza (a aversão à sujeira e à contaminação pelo contato com o que é impuro).
A2 - A predominância do branco (e da luz que espanca as trevas).
A3 - As formas geométricas retilíneas (as linhas e ângulos retos) na arquitetura de interiores e exteriores, urbana e rural (ruas, praças, prédios, plantações etc.).
A4 - A arquitetura monumental privilegiando a direção vertical e a repartição e separação dos espaços: muros, escadas, portas, fechaduras...
A5 - A sociedade totalmente organizada e uniformizada (as pessoas com uniformes ou roupas semelhantes, com cortes padrão de cabelo ou penteados canônicos, os conjuntos habitacionais com construções e aparência iguais etc.)
A6 - Os horários fixos válidos para determinadas atividades (eletivas ou compulsórias): a existência de uma espécie de regulamento geral das horas (ou tabela taylorista, com horas para trabalhar, descansar, dormir, fazer sexo, se divertir etc.)
A7 - O silêncio (a aversão ao alarido do populacho ou da turba vil e ao falar alto).
A8 - A ordem (a aversão à bagunça ou à baderna).
A9 - O culto à bandeira, ao hino e aos símbolos pátrios (e à pátria) e a exaltação do patriotismo.
A10 - Os regulamentos e as numerosíssimas proibições ("levíticas": para tudo ou quase haverá uma disposição ou modo-de-fazer correto).
A11 - A espada, a coroa, o cetro, o bastão (como símbolos de poder deslizados para a política).
A12 - O intrincado protocolo para qualquer cerimônia, os modos de tratamento canônicos, os numerosos títulos e as reverências ou prostrações para falar com o governante (ou coexistir em sua presença ou até sobreviver diante da sua passagem).
A13 - O culto (necrófilo) do trabalho e a exaltação do trabalhador.
A14 - As restrições à livre sexualidade e a deslegitimação da imaginação criadora.
A15 - A existência - e onipresença - de uma polícia política.
A16 - O sentimento geral de poder estar violando - nas menores ações privadas do dia-a-dia - alguma regra estabelecida conhecida ou ser interpretado como violador de alguma regra desconhecida e, por isso, cair em desgraça, ter suas aspirações ou demandas preteridas ou ser reprimido pela polícia política (supostamente onisciente).
A17 - A constante vigilância de todos sobre todos e a existência de mecanismos de delação espalhados (que podem ser usados por qualquer um).
A18 - A naturalização da ordem social que impede a percepção, deslegitima alternativas e promove a configuração social existente como necessária (de sorte a fazer com que as pessoas imaginem que as coisas 'são' assim e não que 'estão' assim).
A19 - A despessoalização: os seres humanos - as pessoas, sempre únicas - são transformados em indivíduos, não raro, designados por números (e não por nomes próprios; ou seus nomes são antecedidos por tratamentos niveladores (camarada, companheiro, irmão) ou sucedidos pelas designações dos cargos funcionais ou hierárquicos que ocupam.

B - IDEIAS-IMPLANTE (ROTINAS DO PROGRAMA BÁSICO)

B1 - A felicidade como ideal supremo.
B2 - A igualdade como ideal supremo (e como pré-condição para a liberdade); ou a ideia de que não pode haver (verdadeira) liberdade sem (ou até que se alcance a perfeita) igualdade.
B3 - A abundância como ideal supremo (que, para ser alcançado, exige a politização da economia como administração da escassez, em geral artificialmente introduzida).
B4 - A utopia (qualquer utopia) como modelo a ser alcançado no futuro (e que, para ser alcançada, exige algum tipo de sacrifício ou de restrição às liberdades no presente).
B5 - O esforço para consertar a natureza, a sociedade ou o ser humano (que teriam vindo com alguma espécie de "defeito de fábrica").
B6 - A ideia de que existe uma sociedade igual para colocar no lugar da sociedade desigual (e de que essa sociedade igual estaria em alguma espécie de mundo paralelo pronta para ser trazida - ou realizada - a partir das contradições da sociedade desigual, elidindo a evidência de que a sociedade igual é somente o conjunto das relações igualitárias que se traçam aqui e agora por meio de atos singulares e precários).
B7 - A ideia de que a nação é uma grande comunidade de destino e a própria ideia de destino (ou da existência de leis ou disposições transcendentes ou imanentes à história).
B8 - A ideia de que existe uma História (assim mesmo, com H maiúsculo) e ela tem leis (que podem ser conhecidas por quem tem a teoria e o método corretos de interpretação da realidade).
B9 - A ideia de que a superestrutura da sociedade (a política, a cultura etc.) é determinada em última instância pela sua infraestrutura econômica.
B10 - A ideia de que o ser humano é inerentemente (ou por natureza) competitivo e de que as pessoas se movem buscando sempre maximizar a satisfação de seus interesses (que são, ao fim e ao cabo, egotistas).
B11 - A ideia de que não é possível mobilizar a ação coletiva a não ser a partir de lideranças destacadas.
B12 - A ideia de povo como rebanho à espera de um condutor, salvador (messias).
B13 - A ideia de povo eleito (escolhido ou ungido por alguma entidade transcendente que intervém na história para conduzi-lo para algum destino já configurado ou prefigurado).
B14 - A ideia de espaço vital (necessário à consumação do destino de um povo predestinado a cumprir um ideal ou de uma raça superior).
B15 - A ideia de que é direito do povo eleito dominar os demais sem limitações de qualquer natureza, sejam elas impostas por leis humanas ou divinas (sendo esse direito determinado pelo critério único do valor do grupo no interior de uma luta darwiniana).
B16 - O mito fundante: de que a nação teria alguma origem comum em um suposto evento épico ou glorioso (perdido nas brumas do passado).
B17 - A ideia de que não é possível organizar nada sem (uma boa dose de) hierarquia.

C - INDICADORES DE PRESENÇA DA HIERARQUIA

C1 - A existência de sacerdócio (a burocracia, a intermediação, a descentralização da rede em vez da sua distribuição).
C2 - A ordenação top down do Estado e da sociedade (os graus, degraus, a estratificação: camadas sobre camadas).
C3 - Ordem, hierarquia, disciplina, obediência, fidelidade imposta top down, punição e recompensa.
C4 - A busca e manutenção da estabilidade pela aproximação do estado de equilíbrio (e não feita e refeita no fluxo dos sistemas afastados do estado de equilíbrio).
C5 - As opções pré-ordenadas e a redução dos caminhos possíveis (levando à escolhas sempre limitadas).

D - PRINCÍPIOS DO MODO DE REGULAÇÃO AUTOCRÁTICO

D1 - O conflito como uma disfunção (malfunction).
D2 - A resolução do conflito pela eliminação (ou recuperação, restauração ou conserto de um defeito) do elemento ou polo conflitante.
D3 - A regulação do conflito pela imposição da vontade da maioria (ignorando-se os desejos das minorias).
D4 - As restrições à liberdade (de opinião, de ir-e-vir, de imprensa, de manifestação, de organização, de difusão de ideias por qualquer meio, inclusive no ciberespaço etc.).
D5 - O segredo nos negócios de Estado (e nos negócios do chefe de Estado e de suas organizações), a opacidade das instituições e procedimentos: inexistência de transparência e impossibilidade de accountability.
D6 - A ideia de que democracia é o poder do povo ou o poder da maioria da população (pervertendo a ideia fundante - ou o meme democrático original - de que ela é 'o poder de qualquer um', quer dizer, a indiferença das capacidades para ocupar as posições de governante ou de governado).
D7 - O regime político baseado em votação por maioria, em que as minorias não têm direitos (ou têm menos direitos do que a maioria).
D8 - O julgamento de que a oposição não é legítima e de que os que se opõem aos chefes do Estado ou aos seus representantes ou delegados são traidores ou sabotadores.
D9 - A caracterização (e inculpação) de quem desobedece, diverge, desvia ou destoa como traidor.
D10 - A ideia (meritocrática) de que quem deve governar (dirigir o Estado, o país, a cidade e, por decorrência, a sociedade) é quem sabe mais.
D11 - A sociedade regulada por um algoritmo, sem necessidade de um chefe ou comandante.

E - A GUERRA COMO DINÂMICA ORGANIZADORA DO COSMO SOCIAL

E1 - A separação nós x eles (e todas as separações decorrentes dessa separação primordial: bem x mal, explorados x exploradores, povo x elites, esquerda x direita, socialistas x liberais, fieis x infiéis de qualquer religião ou seita, nacionais x estrangeiros, leste x oeste, sul x norte, brancos x não-brancos, heterossexuais x homossexuais etc.)
E2 - A ideia e a prática da política como arte da guerra, ou como continuação da guerra por outros meios (a fórmule-inverse de Clausewitz-Lenin).
E3 - O culto do conflito e a guerra como instituição permanente (e como realidade inexorável, sobretudo a guerra não-ocorrida como guerra-quente ou conflito violento - como o é toda guerra - mas latente e eternamente presente nos períodos considerados de paz.
E4 - A ideia e a prática de que governar é comandar (uma força, um contingente, um exército, um povo).
E5 - O culto do herói.
E6 - A ideia de que a luta de classes é o motor da história.
E7 - A ideia de que a violência é a parteira da história.
E8 - A ideia da beleza da violência e a eficácia da vontade, quando voltadas para o êxito do grupo que tem uma causa redentora ou reformadora do mundo.
E9 - A construção e manutenção de inimigos.

F - O ESTATISMO COMO IDEOLOGIA E COMPORTAMENTO POLÍTICO

F1 - A ideia de Estado como materialização do espírito ou da vontade divina (ou de alguma realidade ou entidade transcendente).
F2 - O culto do Estado (e a ideologia estatista, ou seja, a visão estadocêntrica do mundo).
F3 - A sociedade como dominium do Estado (no sentido feudal do termo) e a ideia de que é o Estado que deve dirigir a sociedade.
F4 - O partido fundido ao Estado, que conquistou hegemonia sobre a sociedade e transformou a sociedade em um ente privado.
F5 - A existência de um líder supremo, benfeitor, condutor, com alta gravitatem e carisma, que ocupa o centro do Estado para fazer uma ligação direta com as massas bypassando as mediações institucionais.
F6 - Os direitos encarados como privilégios (ou concessões de um benfeitor).
F7 - Os cidadãos reduzidos a súditos (do Estado e, às vezes, do chefe de Estado).
F8 - As pessoas - todas as pessoas - transformadas em funcionários (stricto ou latu sensu) do Estado.
F9 - A ideia de que o Estado - quando nas mãos certas - é o grande agente transformador da sociedade e a ele compete educar as massas para produzir o Homem Novo.
Estamos começando a experimentar um projeto de investigação-aprendizagem democrática pelo exercício do reconhecimento de padrões autocráticos (esta parte inicial do projeto é baseada em 10 livros clássicos de ficção e 10 filmes). Mas o projeto é mais amplo: depois ele vai abordar 10 livros históricos e, em seguida, 10 textos teóricos fundamentais de referência.



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